quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Ultimo Beijo Capítulo 31

- Amigaaaaa, - A Ana dizia na ultima loja em que entramos, quando sai do provador, com o que seria a ultima coisa que provaria, porque do contrario iria matá-la. - Você está linda com esse vestido verde. Nem precisa tirar, agora vamos comprar uma sandália bem linda para combinar. – O vestido era realmente muito bonitinho. Era frente única, quase anos 60, relativamente curto, em um tom de verde que combinava meus olhos. Ela ainda comprou uma sandália em um tom bege, com um saltinho de médio a baixo, A Ana estava com um vestido tomara que caia rosa, muito bonitinho. Fomos para a casa dos pais dela. As outras sacolas seriam entregues depois. Estava exausta.

Já deveria imaginar que a Ana não resumiria meu aniversario a uma tarde de compras. Chegando à casa dela estava escuro, quando entramos, eles acenderam as luzes e tinha bastante gente lá dentro, estava tudo enfeitadinho, com um bolo que dava no mínimo para o dobro de pessoas.
Estava a família da Ana e algumas pessoas do colégio, cantando parabéns para mim enquanto a Ana me empurrava em direção à mesa onde estava o bolo, com a velinha rosa em formato de estrela (porque a Ana tinha uma verdadeira fixação por aquelas coisinhas brilhantes no céu), estava chorando, nunca tinha ganhado uma festa, meus aniversários eram restringidos a família Werner.
Estava tudo muito lindo, abracei a Ana e ela também estava chorando, quando acabou os parabéns ela me pediu que fizesse um pedido antes de apagar a vela.
Olhei para todos ali e o vi, Gabe estava do outro lado da sala, ele me olhava com uma cara apaixonante, já sabia o que pediria, se essa coisa de pedido em aniversario funcionava então muito em breve eu saberia absolutamente tudo sobre o Gabe.
Assoprei as velas e a turminha veio me abraçar e me dar presentes, realmente conhecia a maioria só de vista ou então dos passeios que fiz nas ultimas semanas com Teddy, mas todos me deram presentes, nem sabia o que abrir primeiro.
Estava realmente muito emocionada, os pais da Ana eram como se fossem pais para mim, me deram o “ipod surpresa”, o Teddy me deu um ursinho e um cartão dizendo que o nome do urso também era Teddy e que pelo menos o urso poderia estar representando ele na minha cama. Eu teria que esconder esse urso. Gabe parou do meu lado e leu o cartão por cima do meu ombro.

- Vou matar esse cara. – O segurei pelo braço, outro escândalo, no dia era demais para mim. – Ainda pego esse sujeito. – Ele disse, ficou do meu lado analisando todos os presentes, mas pelo menos não foi matar o coitado do Teddy.

Ganhei uma bolsa da Ariel, um chaveiro de coração do Rafa, que fez o Gabe fechar os punhos, um DVD do Anderson e tantas outras coisas que mal sabia o que era de quem. As meninas do vôlei me deram roupas, o Danny me deu uma linda luminária.
Por fim fomos para uma improvisada pista de dança na sala, algumas pessoas conversavam pelos cantos da casa. Os pais da Ana conversavam com alguns amigos nossos na cozinha. Gabe me puxou para a varanda.

- Feliz aniversário – Ele dizia sussurrando em meu ouvido, me dando um abraço.

- Obrigado. – Consegui dizer meio sem jeito.

- Você ficou lindíssima com esse vestido. Combina com meu outro presente.

- Como assim outro presente? – Tinha mais?

- O pingente que te dei.

- Sim, mas você me deu só o pingente... Ou tinha mais alguma coisa na caixinha que não vi? – Meu Deus, perder o presente do Gabe era a morte.

- Não, mas combinei com a Ana, esse vestido é presente meu. – Nem consigo definir a cara que fiz.

- Você realmente achou que eu escolheria esse vestido lindo sozinha? – Nem havia reparado a Ana e o Danny atrás de mim. – Agora conheço o conceito de surpresa?

- Com certeza Ana, dessa vez você se superou!

- Pois é, o Dom Juan aí já tinha deixado o vestido escolhido na loja, ó tive que fazer uma ceninha para você experimentá-lo. - Queria beijá-lo, mas não podia.

Ficamos conversando nem sei definir por quanto tempo. Algumas pessoas estavam indo embora então acabei entrando e deixando Gabe na varanda. Por fim só estava a família da Ana, o Danny, o Teddy e duas meninas do vôlei e o Gabe. Daniel pediu a atenção de todos para falar.

- Quero pedir um minutinho da atenção de todos, por favor. – O Danny era meu amigo, mas não esperava nenhum tipo de homenagem naquela noite. Não vindo dele.

- Bom, quero mais uma vez parabenizar nossa colega Jasmim por mais esse ano de vida e desejar que ela seja muito feliz. – Ele me dava uma piscadinha de amigo. – Mas nesse momento quero aproveitar à oportunidade de pedir ao Senhor e a Sra. Werner a permissão para namorar a sua filha. – Ok, não era só a minha cara que estava chocada. A Ana ia ter uma sincope.

- Como é jovenzinho? – O pai da Ana perguntava como se fosse bater no Danny.

- Sr Werner, eu amo a sua filha e quero muito sua permissão para poder namorar com ela.

- Danny você está louco? – A Ana dizia quase sem voz. – Meus pais não precisavam aprovar isso.

- O que você quer dizer com isso mocinha? – O pai da Ana perguntava para ela.

- Ah pai, você sabe que não sou nenhuma criança... Eu só... Só... Nunca namorei com ninguém assim... Em casa.

- Se acalme querido. – A Mãe da Ana dizia muito mais calma que o habitual. – Já estava mais do que na hora da nossa menininha trazer um namorado em casa ou você prefere que ela namore escondido?

- Não, mais... Ela não é meio nova demais?

Gabe tocou meu braço e fomos para a varanda. Aquele assunto era de família. Por mais próxima que eu fosse, aquele era um momento só deles, o resto do pessoal se dispersou pela sala também e aumentaram o volume do som.

- Você está linda!

- Obrigado! O pingente e o vestido são lindos. Só não entendi bem o que é esse pingente.

- Ficou perfeito em você – ele me puxou para mais perto. – Vai saber quando chegar a hora.

- Estou feliz Gabe. – Ele não permitiu que eu dissesse mais nada, me beijou de um jeito suave e doce, muito fora do comum para nós dois.

- Isso vai ser complicado Jasmim.

- Gosto de coisas complicadas. – Minha intenção era fazê-lo rir, mas ele permaneceu serio.

- Você não faz idéia de onde está se metendo e das proporções que isso pode tomar. Luke não vai aceitar isso bem, nenhum deles vai. Sou perigoso e...

- Eu agüento.

- Sei que agüenta, mas não sei até onde eu agüento.

- Por quê? – Ele se apoiou na varanda, de costas para mim, me aproximei e coloquei minha mão na sua, tentando mostrar a ele que podia confiar em mim.

- Eu quero... Droga... Quero me alimentar de você de novo Jasmim – Aquilo gelou a minha alma. – Luke sempre nos disse para não se alimentar de alguém por quem nutrimos alguma espécie de sentimento.

- Porque não?

- Porque o vinculo fica muito forte. Eu preciso de mais... E pior, preciso de mais de você.

- Tudo bem – Eu me lembrei da dor e da cara dele, da dor que ele parecia sentir. Aquilo equibrava um pouco as coisas e me dava coragem, não poderia deixá-lo sofrer, conter aquilo o fazia sentir muita dor.

- Tudo bem? Não Jasmim... Você não entende... Posso matá-la, não sei se vou conseguir parar nas próximas vezes.

- Você parou aquele dia no bosque.

- Não foi fácil.

- Parou aquele dia na casa abandonada.

- Foi mais difícil ainda.

- Você não vai me matar.

- Eu posso te matar jasmim. Acredite.

- O que exatamente você tira de mim? O que é o “alimento”?

- Sugo a alegria do seu corpo e da sua alma e lhe devolvo tristeza em troca – Agora podia entender o que sentia, quando ele estava com os olhos brancos. - Não posso te perder Jasmim... Não você. – ele se virou e me abraçou.

- Não vou a lugar algum.

- Os outros fazem a mesma coisa?

- Sim, mas muda o sentimento, cada um suga um sentimento diferente do outro. – Era muita coisa para processar. – Danny, por exemplo, suga tristeza e devolve alegria.

- Nossa. – Tantas coisas passavam pela minha cabeça.

- Somos sugadores Jasmim. Existimos a milhares de anos, sugamos sentimentos que somos incapazes de sentir, precisamos deles para sobreviver. No meu caso, não consigo sentir alegria, então preciso sugar isso dos outros.

Queria fazer tantas perguntas, mas também queria ficar calada para poder digerir tudo aquilo, ele havia me avisado que saber o que ele era não facilitaria nada e era verdade, não facilitava.

- Aham – O Danny pigarreava atrás de nos. – Preciso de ajuda... A Ana se
trancou no quarto e não quer sair.

- Ok. – Respondi.

- Não entendo a Ana – Gabe falava olhando para mim e para o Danny. – Ela ama o Danny, mas não admite isso a si mesma. Fica se fazendo de durona.

- Ah Gabe não é assim, ela tem medo que ele vá embora. Ela tem medo de sentir o que sente.

- O Danny? Ir embora? – Fiz que sim com a cabeça. – Ele nunca vai deixá-la, ele vai casar com ela, se a Ana quiser.

- Ela não pensa em casar tão cedo.

- Ele tem tempo.

- E nós?

- O que tem? – Estava perguntando sobre casamento, mas decidi desconversar, já que ele não havia entendido a indireta.

- Não existe uma cura, para o que você é?

- Não que eu saiba...

- Não posso ser como você?

- Não. Tem que nascer assim.

- Jasmim?! – O Danny já estava entrando em pânico na porta, nem tinha notado que ele havia saído e já estava de volta.

- Ok. Estou indo.

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